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Brasil é o 2º maior comprador de defensivos proibidos

Agropecuária | Publicada em 16/09/2020

A União Européia autorizou a exportação de mais de 80 mil toneladas de pesticidas que são proibidos no próprio bloco por terem toxicidade muito elevada e pelos riscos que representam para a saúde e o ambiente. Um mapeamento feito pela organização suíça Public Eye e o Greenpeace do Reino Unido, analisando os documentos de exportação, mostrou que em 2018 os países membros da UE aprovaram a exportação de 81.615 toneladas de pesticidas contendo substâncias proibidas por às vezes mais de dez anos em seu próprio solo. No total foram 41 substâncias vendidas para 85 países. Isso equivale a toda quantidade de pesticidas vendida na França naquele ano. Enquanto o Reino Unido é o maior exportador em volume, a França é o país que exporta o maior número de diferentes substâncias proibidas, são 18. O Brasil é o segundo maior comprador desses defensivos proibidos. Foram 10 mil toneladas em 2018, e 12 mil em 2019. Mais da metade (77%) saiu de uma fábrica na Inglaterra, onde é produzido o paraquate, que será proibido em solo brasileiro a partir do próximo dia 22. Os brasileiros importaram um total de 10.080 toneladas. O maior importador foram os Estados Unidos, com 25.998 toneladas. Aparecem na lista, por ordem, Japão, Ucrânia, Marrocos, México, Malásia, Chile, África do Sul e Rússia. “O grosso das exportações é para “países mais pobres, onde acredita-se que esses agroquímicos danosos trazem maiores riscos”, afirma o relatório. A controvérsia é que os países do bloco não proíbem a importação de produtos de países que usam os defensivos. “É o ciclo do veneno. Sabemos que esses agrotóxicos são perigosos, mas os vendemos e externalizamos os impactos de nosso próprio consumo. Enquanto isso, camponeses, indígenas e pessoas que vivem próximas ao campo sofrem no Brasil”, diz Laurent Gaberell, um dos autores do levantamento. Entre os principais riscos está a má formação em humanos, mortandade de abelhas e contaminação de rios na aplicação aérea, também proibida na UE. Outro levantamento, da ONG Pesticide Action Network, analisou 770 frutas, legumes e grãos vendidos pelo Brasil à Europa em 2018. Desses, 97 tinham agrotóxicos proibidos ou de uso restrito na União Europeia. Entre as principais estão maçã, mamão, manga e limão. O agrotóxico proibido na União Europeia que mais apareceu nos alimentos brasileiros disponíveis nos mercados europeus foi o carbendazim. Ele é usado no cultivo de laranja, limão, maçã, feijão, soja e trigo. Segundo o Ibama, 4,8 mil toneladas do produto foram compradas em 2018. O fungicida foi banido na Europa porque pode causar defeitos genéticos, prejudicar a fertilidade e o feto, além de ser muito tóxico para a vida aquática. Fonte: Agrolink

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